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Daniel Craig: a morte é o estopim para nostálgicas e amargas lembranças
Palmas devem ser batidas quando um ator vira estrela e usa seu prestígio para tocar projetos pessoais. É o que aconteceu com o inglês Daniel Craig. Hoje conhecido como o novo James Bond, ele se lança na produção executiva no drama Reflexos da Inocência, longa-metragem de estréia do seu amigo Baillie Walsh. Trata-se de um filme menor em sua carreira, sobretudo se comparado às superproduções do agente 007. Mas reside aí uma de suas virtudes. Sem grandes arroubos nem pretensões, a fita cumpre o prometido: vasculhar com pinceladas sentimentais o amargo passado de um personagem conturbado.
O próprio Craig empresta seu invejável físico de atleta para dar vida a Joe Scott, um astro de Hollywood. Esse quarentão hedonista encontra-se quase à beira do abismo profissional por causa dos pileques e do vício em cocaína. Entre uma balada e outra, recebe a triste notícia da morte de um velho amigo. O roteiro, então, retrocede 25 anos. Joe, agora vivido por Harry Eden, mora com a mãe numa cidadezinha litorânea da Inglaterra (na verdade, as locações foram na África do Sul). No despertar da sexualidade, esse tímido rapazinho engata o primeiro romance enquanto é assediado por uma vizinha casada. Se no presente a história ganha tratamento por vezes irônico do universo das celebridades, o passado, ambientado nos anos 70, vem carregado de nostalgia. Seja pelas calças boca-de-sino e pela trilha que traz David Bowie e Roxy Music, seja pelo olhar afetuoso do realizador para retratar as turbulentas transformações do protagonista.
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Reflexos da Inocência, de Baillie Walsh (Flashbacks of a Fool, Reino Unido, 2008, 114min). 16 anos. Pré-estréia na terça (19) no Cidade Jardim 5. Circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (22). Clique e veja cenas.