Destino de 3 milhões de paulistanos por dia, os 47 centros comerciais da cidade devem ganhar mais um grande concorrente agora e outros quatro até 2009. Os especialistas garantem: ainda há espaço para novos empreendimentos
José Cordeiro
Pista de skate no Aricanduva: 10 000 pessoas por mês
Instalado no SP Market, o parque O Mundo da Xuxa espalha-se por uma área de 15 000 metros quadrados, onde recebe anualmente 670 000 pessoas. Apesar de ir ao shopping exclusivamente para se esbaldar nos brinquedos, boa parte desses freqüentadores aproveita para ver vitrines e sai quase sempre com sacolas nas mãos. Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), a cena é para lá de comum em shoppings paulistanos: nada menos que 85% dos clientes que vão ao cinema gastam também em lojas ou praças de alimentação. Também pudera. Das 253 salas de cinema em São Paulo, 216 estão dentro de shoppings. "O lucro de uma área de lazer corresponde a 40% do de uma loja do mesmo tamanho", afirma Marcos Sérgio Novaes, superintendente do Centro Comercial Leste Aricanduva. Explica-se: se alguém vai ao cinema, gasta com estacionamento e ingresso e, durante as horas do filme, ocupa uma vaga de estacionamento que no mesmo período poderia abrigar mais de um cliente disposto a fazer compras.
Como explicar, então, por que as áreas de lazer cresceram e apareceram desde a década de 90? Em janeiro deste ano, 86 000 metros quadrados dos 47 shoppings paulistanos eram ocupados por opções de entretenimento. Diante da área bruta locável desses centros comerciais (somados, chegam a 1,6 milhão de metros quadrados), pode parecer pouco. Mas representa um crescimento de 14% no espaço em comparação com janeiro de 2007. A resposta está na fidelização de público. Uma família que se acostuma a patinar no gelo no Shopping Eldorado (diversão escolhida por 5 000 pessoas todo mês) tende a criar o hábito de concentrar ali qualquer compra ou serviço de que precise. "Lazer funciona muito bem para se diferenciar da concorrência", diz Marcelo Carvalho, presidente da Abrasce. Os novos endereços do consumo, como o Bourbon Shopping Pompéia, seguem à risca essa estratégia. Inaugurado em março, o Bourbon promete para o segundo semestre atrações exclusivas, como uma sala de cinema Imax, com tela de 273 metros quadrados (cinco vezes o tamanho de uma convencional) para projeção de filmes em três dimensões. O Cidade Jardim anuncia um Cinemark com garçons que servirão cerveja e vinho num lounge projetado pelo arquiteto Arthur de Mattos Casas. Poltronas de couro largas com apoio para os pés acomodarão juntas no máximo 200 pessoas, menos da metade do público das salas tradicionais da rede. Pelo visto, o tempo em que ir ao shopping era sinônimo exclusivamente de sair carregado de sacolas ficou mesmo para trás.