Todo dia, um novo prédio é lançado na cidade.
Construtoras entram na onda do ecologicamente correto.
Personalidades indicam o que há de melhor em seus bairros.
É possível financiar um imóvel em até trinta anos.
Mario Rodrigues
Operário trabalha em obra da Cyrela, no Itaim: oito novos prédios apenas em 2007
Em 2006, 262 construtoras e 316 incorporadoras lançaram empreendimentos na região metropolitana. Elas ergueram 7,3 milhões de metros quadrados – o correspondente a quase 100 estádios do Pacaembu –, distribuídos em 37 688 unidades (entram nessa conta prédios residenciais e de escritórios e condomínios horizontais). As campeãs desse universo de concreto, tijolos e ferragens foram, segundo um levantamento da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), a Cyrela Brazil Realty e a Gafisa (veja quadro). Juntas, as duas dominam quase 10% do mercado de incorporação e construção. Responsável por esse ranking desde 1998, a Embraesp leva em conta dados como números de lançamentos, área total construída e valor geral de vendas.
As maiores novidades do levantamento de 2006 foram as companhias que ganharam a medalha de bronze. Em dois anos, a Even saltou do 11º para o terceiro lugar entre as construtoras. No mesmo período, o número de funcionários passou de 165 para 460. "A diversificação do perfil de lançamentos foi um dos pontos que contribuíram para o crescimento", afirma o presidente Carlos Terepins. Antes focada apenas na classe média alta, a empresa passou a investir, a partir de 2006, também em apartamentos de médio padrão, com preços entre 160 000 e 350 000 reais. No terceiro lugar do ranking das incorporadoras, a JHSF vai no caminho contrário. Ela se destaca não pela quantidade de empreendimentos, mas pelo perfil e valor de vendas. A única obra lançada no ano passado foi a do Parque Cidade Jardim, complexo de altíssimo luxo, com shopping center, hotel, prédios residenciais e de escritórios, que deve render sozinho um faturamento de 1,78 bilhão de reais. "O processo de escolha do terreno, negociação e lançamento de um imóvel pode demorar três anos", diz o vice-presidente Eduardo Camara.
O ano passado foi de desafios para as empresas do mercado imobiliário. Com a aprovação da Lei Cidade Limpa, cavaletes, placas enormes de propaganda e folhetos distribuídos nos semáforos estão proibidos. Bandeiras, só nos fins de semana e dentro da área do terreno. Nada de ficar na calçada. "Antes, fazíamos placas de até 40 metros quadrados", conta Flávia Consorte, gerente de marketing da Setin. "Hoje, estamos limitados a 4 metros quadrados." Para driblar as restrições, as companhias tiveram de usar a criatividade. A localização dos lançamentos é indicada, agora, por discretas propagandas colocadas sobre as placas que identificam os endereços nas ruas. Em vez de uma enxurrada de papéis no semáforo, promoters fazem divulgação direcionada em locais freqüentados pelo público-alvo, como bares, restaurantes e centros de compras. Muito mais que o indefectível apartamento decorado, os estandes contam atualmente com mordomias como degustação de vinhos, massagem e aulas de tai chi chuan. A idéia é deixar o interessado um bom tempo avaliando o negócio. "Constatamos que, quanto mais o cliente fica namorando o imóvel, maior é a chance de concretizar a compra", diz Márcia Bacci, sócia-diretora da Máxima Promoções e Eventos, que atende trinta incorporadoras na cidade. Essas limitações, aliadas à forte concorrência, elevaram o investimento das incorporadoras na divulgação. Em dois anos, o volume passou de 4% para 5,5% do valor geral de venda de cada produto. "Se uma empresa cria um estande de 1 milhão de reais, temos de fazer um de 1,5 milhão", afirma Flávia. Tudo para fisgar o consumidor.