Todo dia, um novo prédio é lançado na cidade.
Construtoras entram na onda do ecologicamente correto.
Personalidades indicam o que há de melhor em seus bairros.
É possível financiar um imóvel em até trinta anos.
Bourbon Pompéia: antes mesmo da inauguração, prevista para fevereiro, a CET mudou o sentido de cinco ruas e instalou semáforos em seis cruzamentos
Anualmente, cerca de 90 milhões de clientes circulam pelos quarenta shopping centers da cidade. Mais do que para fazer compras, essa multidão sai de casa para ir ao cinema, comer ou simplesmente passear e olhar vitrines. Ao juntarem comércio e serviços num único local, esses centros caíram há tempos no gosto dos paulistanos. "Por motivos de segurança e conveniência, as pessoas evitam ao máximo grandes deslocamentos", afirma Geraldo Ferreira Neto, diretor da consultoria Escopo Geomarketing. "Ninguém quer ficar transitando à toa pela cidade." A enxurrada de dinheiro no mercado imobiliário trouxe reflexos também para o setor. Até o fim de 2008, quatro novos shoppings serão inaugurados: Bourbon Pompéia, Cidade Jardim, Metrô Tucuruvi e Metrô Itaquera (prometido para a última quarta-feira). Para 2009 estão previstos o Vila Olímpia e um do Grupo Iguatemi, ainda sem nome definido.
Esses novos empreendimentos têm perfis bastante distintos. O Cidade Jardim deverá ser um dos maiores complexos de luxo da cidade, com lojas como Daslu, Empório Fasano, Armani, Louis Vuitton e Ermenegildo Zegna. Na disputa pelo mesmo público AAA, o Grupo Iguatemi pretende transformar o antigo esqueleto da Eletropaulo, na esquina da Marginal Pinheiros com a Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, num complexo com torre de escritórios, shopping e hotel. Já o Metrô Itaquera aposta na Zona Leste, região que conta com uma população de menor poder aquisitivo, porém carente de grandes centros varejistas. Com a ajuda do movimento das estações de metrô e de trem, além de um terminal de ônibus, os investidores esperam receber 1,8 milhão de visitantes por mês.
Para garantirem espaço em meio a tantas novidades, alguns centros tradicionais preparam reformas e expansões. O Grupo Victor Malzoni, responsável pelos shoppings West Plaza, Paulista e Pátio Higienópolis, investiu 255 milhões de reais na revitalização de suas unidades. Para fazer frente ao vizinho Bourbon – que terá dez salas de cinema multiplex e uma especial Imax, com projeções em 3D, além de um teatro com 1 500 lugares –, o West Plaza ganhará até maio de 2008 mais dez salas de cinema da rede Cinemark, um bulevar com restaurantes e novos pisos. A fachada também passará por reformas.
Mesmo antes da inauguração, um novo shopping costuma causar grandes transformações em seu entorno, especialmente no trânsito. Para diminuir o impacto causado pela abertura do Bourbon, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mudou o sentido de cinco ruas e instalou semáforos em seis cruzamentos da Pompéia. A Construbase Engenharia e a Participa Empreendimentos, responsáveis pelo Shopping Metrô Itaquera, desembolsaram 6 milhões de reais com alargamento de pistas e instalação de semáforos e placas de sinalização. "Hoje, nenhum projeto é aprovado pela prefeitura sem que ofereça uma contrapartida para o trânsito", diz o engenheiro Sérgio Michel Sola, dono de uma consultoria especializada em estudos de impacto para grandes empreendimentos.
Por causa desses transtornos, um novo centro de compras nem sempre é bem-vindo pela vizinhança. Quando anunciou a construção do Pátio Higienópolis, no início dos anos 90, o Grupo Victor Malzoni enfrentou muita resistência. "Tivemos de apresentar e discutir o projeto inteiro com a população", conta a diretora de marketing, Márcia Saad. O processo entre a aquisição do terreno e o início das obras, que geralmente leva dois anos, demorou quatro. Além de muita conversa, o grupo investiu 3 milhões de reais na restauração de casarões históricos, instalação de semáforos e para dar uma guaribada na Praça Buenos Aires, que ganhou o status de parque. Hoje, o shopping é o xodó de Higienópolis. Mensalmente, é freqüentado por 1,6 milhão de pessoas, 60% delas moradores do bairro.
Há boas notícias para quem mora na região próxima de grandes empreendimentos. Com o aumento da oferta de comércio e serviços, essas áreas tornam-se atraentes para o mercado imobiliário. E os imóveis quase sempre se valorizam. Moema, por exemplo, era um bairro formado quase que exclusivamente por casas até a inauguração do Shopping Ibirapuera, em 1976. Pouco tempo depois, verticalizou-se. "Antes mesmo do término das obras do shopping, vários edifícios já haviam sido construídos", lembra Tadeu Masano, presidente da consultoria Geografia de Mercado. Muitas vezes, os empreendedores – que têm informações privilegiadas – adquirem boa parte dos terrenos ao redor do shopping. Foi o que fez a Multiplan, que, prestes a começar a construção do MorumbiShopping, no início da década de 80, comprou cerca de 30 000 metros quadrados em seu entorno. "Depois da obra pronta, o valor dos terrenos, no mínimo, dobra", afirma o diretor Marcello Barnes.