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CASA

Meu cantinho preferido

06.11.2007


 

Por Carolina Chagas

Receitas na estante

Fernando Moraes

Rita Lobo

Diretora do site, da editora e da cozinha experimental Panelinha, Rita Lobo quase sempre chega em casa com um quitute fresquinho. Uma das fontes de receitas e idéias para seu cotidiano regado a molhos, bolos, tortas e assados são os livros distribuídos na grande estante que ocupa uma das paredes da sala de jantar deste ensolarado apartamento nos Jardins (e que, não por acaso, fica ao lado da porta que leva à cozinha). Seu favorito, ao qual sempre recorre, é Não É Sopa, da colega de panelas e letras Nina Horta. "Ela tem um texto impecável", diz. Rita também indica descobertas recentes, como As Receitas do Les Halles, do chef americano Anthony Bourdain. "Não gosto dos demais livros dele, mas esse dá todos os truques e é bem escrito." Outro tesouro das prateleiras é The Jewish Kitchen, de Clarissa Hyman. Filha de mãe judia, Rita tem se aventurado nesse universo familiar ultimamente. "É mais que um livro de receitas; conta a história do judaísmo sob o prisma do sabor."


Lula pesca, ele cozinha

Fernando Moraes

Wanderley Nunes

Não são só as tesouradas certeiras que rendem elogios ao cabeleireiro Wanderley Nunes. Uma parcela bastante exclusiva de seus clientes é, de tempos em tempos, convidada para um jantar preparado por ele. A cozinha, toda da marca Viking – patrocinadora do filho Pedro Nunes, que disputa a Fórmula Renault na Europa –, é de fazer inveja a qualquer gourmet. Tem duas geladeiras (cheias de ímãs que Pedro traz de suas andanças), forno tradicional e a vapor, fogão de seis bocas com chapa e grelha, além de uma estufa para manter a comida aquecida enquanto todos os pratos são finalizados. Na frente do fogão, uma bancada com cadeiras de pernas esguias coloca os convidados diante do mestre-cuca. O presidente Lula e a primeira-dama Marisa Letícia já se sentaram nessas cadeiras. "Os dois adoram arroz, feijão e peixe", conta Nunes. "Quando vai pescar, Lula sempre manda um peixe para eu preparar." E avisa quando vai provar o prato, claro.


Ateliê sob medida

Mario Rodrigues

Guto Lacaz

O artista plástico Guto Lacaz realizou um sonho antigo quando comprou sua espaçosa casa nos arredores do Parque do Ibirapuera, há cerca de dez anos: construiu o que considera o ateliê ideal. Com pé-direito alto, porta ampla e muito espaço interno. "Dá para inventar e tirar qualquer obra daqui de dentro", diz. Enquanto trabalha, Lacaz observa o jardim repleto de árvores frutíferas. Atualmente ele está envolvido em uma instalação com trilhos de trenzinhos elétricos. "É uma idéia que tive nos anos 80, mas só agora reuni toda a parafernália para montar." No ateliê do fundo de seu quintal – ele tem outro na Rua Pamplona, para onde vai todos os dias – também ficam algumas réplicas do avião Zero (usado pelos japoneses para bombardear Pearl Harbor, em 1941), que compõem uma de suas obras. "Adoro assuntos relacionados a guerra, e esse avião é incrível", afirma. "Há uma teoria de que ele teria sido feito com madeira saída do Brasil."


Brunchs no quintal

Fernando Moraes

Sarah Oliveira

Repórter do Vídeo Show, a ex-VJ Sarah Oliveira vive em um apartamento que parece saído dos filmes da fase nova-iorquina do diretor Woody Allen. No térreo de um prédio de poucos andares nos Jardins, ele tem uma bela área recheada de plantas. "Casei por causa desse apartamento", brinca. Sarah e o empresário Thiago Lopes já namoravam havia quatro anos quando, em 2003, os pais dela trocaram os Jardins pela Granja Viana. "Sempre fui uma menina da cidade e não me adaptei àquela vida pacata", confessa. Já Thiago, criado exatamente na Granja Viana, não imaginava ficar longe do mato. "Esse endereço foi amor à primeira vista para nós dois", conta. É no quintal que Sarah costuma receber os amigos. "Meus brunchs de domingo começam cedo e só acabam quando o sol baixa."


Decoração sem ajuda

Fernando Moraes

Fause Haten

Avesso a decoradores, o estilista Fause Haten sempre foi o responsável pelos móveis e objetos que leva para dentro de casa. Antes de mudar para seu apartamento nos Jardins, morava em uma casa com cômodos maiores. "Quando vim para cá, há dois anos, nenhum dos meus móveis cabia", lembra. "Tive de começar do zero." Um dos destaques do ambiente que mistura sala de visitas e de jantar é um unicórnio de papel machê. "Ele fazia parte do cenário do meu último desfile." Assim como o cavalo com um imenso chifre na testa, quase todos os objetos desse cantinho têm história. Uma das três cabeças de boneca que deixa sobre a mesa, por exemplo, ele trouxe de uma viagem à Dinamarca. "Namorei o lustre de um antiquário durante meses", conta. "Até decidir levar, o vendedor quase enlouqueceu." Mas Haten revela que a sala está em constante mudança. "Vou incorporando presentes que ganho dos amigos. Minha parte eu já fiz."


São Paulo na parede

Fernando Moraes

Gilberto Kassab

É no aconchegante escritório de seu amplo apartamento ao lado do Shopping Iguatemi que o dia do prefeito Gilberto Kassab começa – e de vez em quando acaba. Ficam ali o computador em que ele acessa suas quinze contas de e-mail, dois telefones, um televisor e um aparelho de DVD. Por volta das 6 da manhã, Kassab, já pronto para o trabalho, senta-se em uma das poltronas para ler os jornais. "Também despacho muito daqui", afirma. "É um lugar separado do resto da casa, privativo e confortável." Nas paredes, o prefeito pendurou seus diplomas (de economia e engenharia pela USP), um mapa do estado de São Paulo e fotos em preto-e-branco com imagens da cidade. "O mapa é da época em que ingressei na política, há dezoito anos", lembra. "As fotografias escolhi por causa da prefeitura mesmo. Tinha de ter alguma coisa da cidade de São Paulo nessa sala." Na prateleira de madeira, os livros dividem o espaço com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e uma latinha de cerveja com o símbolo do São Paulo Futebol Clube.


Jardinagem e abobrinhas

Mario Rodrigues

Patsy Scarpa

Quando montou sua mansão no Jardim América, na década de 40, Patsy Scarpa, matriarca da família Scarpa, fez questão de chamar um decorador francês. "Disse a ele que queria uma biblioteca parecida com a que tinha visto na Embaixada da França em Londres", conta. "E não é que era ele mesmo o autor?" Passados sessenta anos, a casa continua igualzinha. Apenas algumas substituições de tecidos e retoques no mobiliário foram feitos. Durante o dia, é comum Patsy avisar que vai sair do ar por algumas horinhas. Tranca-se, então, na sala acima para ler sobre decoração ou jardinagem, seus assuntos favoritos. "Aproveito também para ligar para minhas amigas", diz. "Gosto de falar abobrinhas de vez em quando, e aqui, de portas fechadas, é perfeito." A única companhia permitida nessas horas de privacidade é Gucci, seu cão schnauzer branco, que, como é pouco chegado a estranhos, não quis sair na foto.


Confraternização no quintal

Mario Rodrigues

Eliana Penna Moreira

Há catorze anos, a empresária Eliana Penna Moreira, dona da grife Lita Mortari, divide o mesmo quarto com o também empresário Guilherme Nunes Magalhães. Quando resolveram juntar as escovas de dentes, cada um vivia com três filhos de casamentos anteriores. Namoravam havia 8 anos e compraram duas casas vizinhas no Jardim Paulistano. Uniram apenas o quarto do casal. De resto, cada um entrava por uma garagem independente. Apesar de ter muita afeição pelo quarto que servia de ponto de encontro com o "namorido", Eliana curte mesmo o quintal da parte da casa que até hoje é só dela. "É aqui que a família se reúne para os melhores momentos", diz. Além de ter uma gostosa piscina, o local é arejado, cheio de verde e ainda sobra espaço para churrasqueira e forno de pizza. Com a saída de quase todos os filhos – e a chegada dos primeiros netos –, Eliana e Magalhães estudam derrubar algumas paredes. "Mas meu quintal vai continuar desse jeitinho, como eu gosto."


Abraço de urso

Fernando Moraes

Helena Montanarini

Projetada pelo arquiteto Marcio Kogan, a casa da consultora de moda e estilo Helena Montanarini, no Jardim Paulistano, foi inspirada nos lofts, aquelas construções com pouquíssimas divisórias. Depois de cruzar um corredor, chega-se a um espaço de pé-direito duplo, todo envidraçado, onde convivem em harmonia a mesa de jantar, os móveis da sala de estar e uma escada de concreto que leva ao quarto e ao banheiro. Dali se avista um bem-cuidado jardim. Como quase não há cantinhos nessa casa de grandes horizontes, Helena tratou de criar o seu: uma cadeira forrada de ursos dos irmãos Campana. "Quando me sento nela, tenho a sensação de que todos estão me abraçando", diz. Se está carente, quer ouvir música, ler ou simplesmente pensar na vida, Helena acomoda-se na gostosa invenção da dupla de designers. Recém-chegada de uma viagem ao México, ela tem aproveitado os momentos a sós para ouvir um CD de Chavela Vargas que baixou em seu iPod.


Árvore de 37 anos

Fernando Moraes

Dan Stulbach

O ator, apresentador de rádio e diretor artístico de teatro (o da Livraria Cultura da Avenida Paulista) Dan Stulbach elege a sala e o terraço de sua cobertura em Higienópolis como seus cantinhos preferidos. Na varanda ficam a bandeira do Corinthians, seu time de coração, e uma árvore que foi plantada por seus pais no ano em que ele nasceu, 1970 (na foto acima, à sua direita). Apaixonado por design, ele tem cadeiras assinadas por Sérgio Rodrigues e Charles Eames. Mantém na sala um imenso pedaço de madeira. "É um tronco de árvore que passou anos num rio", diz. "Comprei numa cidade mineira." Orquídeas são outra admiração do ator. "Tenho uma coleção delas e, modéstia à parte, sei como cuidar dessas plantas." Em sua casa há ainda um lustre dinamarquês que ele trouxe dos tempos em que morou na Europa.

 
 
 
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