Todo dia, um novo prédio é lançado na cidade.
Construtoras entram na onda do ecologicamente correto.
Personalidades indicam o que há de melhor em seus bairros.
É possível financiar um imóvel em até trinta anos.
Fotos Fernando Moraes
A executiva Cristina Palmaka, no home office de seu apartamento em Moema: no comando de uma equipe de oito pessoas espalhadas por quatro países
Quatro em cada dez lançamentos com esse perfil ficam na Zona Sul, em apartamentos com cerca de 200 metros quadrados, normalmente com quatro dormitórios. Eles atraem profissionais como Cristina Palmaka, que comanda virtualmente uma equipe de oito pessoas espalhadas por quatro países a partir do home office de seu apartamento de 190 metros quadrados em Moema. "Em casa, é preciso ter disciplina tanto para trabalhar quanto para não trabalhar demais", afirma a executiva, diretora de consumo da HP para a América Latina. Casada e com uma filha de 1 ano, Cristina tem regras próprias para que a vida familiar não saia prejudicada. "No início e no fim do dia, paro tudo para curtir minha filha", conta. "Sexta à noite reservo para sair com meu marido." O tempo de lazer também é intocável: quatro dias por semana, a executiva, que é maratonista, corre até 30 quilômetros ao ar livre.
O analista de sistemas Ciro Sisman (no alto) e a agente de viagens Vera Galindo (acima): ele montou seu escritório no quartinho de empregada e ela, no meio da sala
O sucesso de quem trabalha em casa depende bastante do controle das interferências domésticas. Que o diga o casal de artistas plásticos Fernando Vilela e Stela Barbieri. Com duas crianças, dois cachorros, três empregados e três assistentes de trabalho, eles se sentem pós-graduados em administração do tempo. "Em alguns períodos, todos sabem que o ateliê é só meu", explica Stela. A megaestrutura de apoio montada no agradável sobrado arborizado da Vila Romana foi fundamental para que o casal centrasse o foco naquilo de que mais gosta: arte e literatura. O ateliê, no 2º andar da edícula, é compartilhado com o marido quando tocam algum projeto conjunto, como os livros infantis que ilustram e escrevem. "Fazemos tantas coisas que dificilmente ficamos juntos", conta Vilela, que lançou vinte livros nos últimos três anos e ganhou três prêmios Jabuti em 2007.
O trabalho fora do espaço físico das empresas só é possível porque a evolução da tecnologia facilitou a comunicação. Autônomo depois de quinze anos como empregado, o analista de sistemas Ciro Sisman preferiu o conforto de casa às despesas extras do aluguel de um escritório. Para interagir com os colegas de trabalho virtual, equipou-se com três computadores conectados à internet. Ferramentas como MSN, ICQ e Skype substituem o telefone no contato com seus chefes, que estão baseados no Texas, Estados Unidos, e que ele nunca viu pessoalmente. "Fui contratado pela internet, ganho em dólares e tenho autonomia para desenvolver os softwares de que a empresa precisa sem me estressar, por exemplo, com o trânsito no caminho para um escritório externo", afirma Ciro, que gosta de trabalhar ouvindo rock clássico. As três horas que ele costumava perder nos congestionamentos agora podem ser convertidas em trabalho ou até em um cochilo após o almoço. "Hoje sou mais produtivo e concentrado", diz, acomodado no quartinho de empregada de 2 metros quadrados adaptado no apartamento de dois dormitórios em que vive com a mulher, na Mooca.
O casal de artistas plásticos Fernando Vilela e Stela Barbieri no ateliê da Vila Romana e o cineasta Hilton Lacerda em seu apartamento no centro: saídas para espairecer entre um serviço e outro